{"id":57826,"date":"2026-06-11T04:39:45","date_gmt":"2026-06-11T07:39:45","guid":{"rendered":"https:\/\/jornadasdaebprio.com.br\/2026\/?p=57826"},"modified":"2026-06-11T04:40:24","modified_gmt":"2026-06-11T07:40:24","slug":"lacos-invencoes-e-gambiarras","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/jornadasdaebprio.com.br\/2026\/lacos-invencoes-e-gambiarras\/","title":{"rendered":"La\u00e7os: inven\u00e7\u00f5es e gambiarras"},"content":{"rendered":"<h5><em>Francisca Menta e Sandra Landim<\/em><\/h5>\n<p>Neste tema, pretendemos investigar, a partir da cl\u00ednica, as inven\u00e7\u00f5es singulares, os arranjos cotidianos, que cada sujeito produz para construir os la\u00e7os capazes de sustent\u00e1-lo no mundo, seja de forma tempor\u00e1ria, extraordin\u00e1ria ou simples (por\u00e9m n\u00e3o menos importante). Visamos pensar o sintoma como uma montagem de vida, um operador de exist\u00eancia, na medida em que envolve o corpo e os seus modos de gozo \u2013 um corpo sutil, tecido por marcas e usos.<\/p>\n<p>Para Sigmund Freud, o sintoma \u00e9 uma forma\u00e7\u00e3o inconsciente que representa a realiza\u00e7\u00e3o de um desejo recalcado. Sendo singular \u00e0 experi\u00eancia de cada sujeito, como uma mensagem a ser decifrada e que busca uma satisfa\u00e7\u00e3o sexual inconsciente.<\/p>\n<p>Com Jacques Lacan, especialmente a partir de seu \u00faltimo ensino, o sintoma deixa de ser concebido apenas como uma mensagem a ser decifrada e passa a ser compreendido como um modo de gozo, uma satisfa\u00e7\u00e3o e uma forma singular que permite ao falasser sustentar sua exist\u00eancia e fazer la\u00e7os. Lacan enfatiza a import\u00e2ncia do <em>sinthoma<\/em>, da amarra\u00e7\u00e3o dos tr\u00eas registros (real, simb\u00f3lico e imagin\u00e1rio) e de um <em>savoir-y-faire<\/em> um \u201csaber fazer com\u201d o sintoma como recursos fundamentais.<\/p>\n<p>\u00c9 nessa dire\u00e7\u00e3o que Jacques-Alain Miller, a partir da leitura de Lacan de James Joyce, nos indica a tratar o sintoma n\u00e3o como um mal a ser eliminado, mas como uma inven\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria de cada sujeito para estabilizar sua estrutura ps\u00edquica.<\/p>\n<p>Seria a gambiarra, termo abrasileirado para as solu\u00e7\u00f5es cotidianas, uma forma de lidar com o irrepar\u00e1vel<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\">[1]<\/a> daquilo que insiste e que cada sujeito precisa criar para lidar com o real?<\/p>\n<p>Algumas perguntas podem orientar nossa pesquisa nessas Jornadas: se sintoma \u00e9 o que sustenta o sujeito no mundo, como diz Lacan na \u201cConfer\u00eancia em Genebra\u201d, como o sintoma faz corpo? Quais s\u00e3o suas marcas, usos e modos de gozo? A partir de tais perguntas surgem outras para nosso tema. As gambiarras como inven\u00e7\u00f5es prec\u00e1rias e\/ou eficazes s\u00e3o solu\u00e7\u00f5es, muitas vezes fora da norma, mas que funcionam. Podemos nos perguntar, em cada caso, o que funciona para o sujeito como uma gambiarra que o mant\u00e9m de p\u00e9? Como ele constr\u00f3i ou perde seus la\u00e7os e que papel o sintoma desempenha nisso? Qual a diferen\u00e7a entre as gambiarras e as inven\u00e7\u00f5es <em>sinthom\u00e1ticas<\/em>?<\/p>\n<p>Convidamos ao trabalho de escrita sobre o sintoma, os la\u00e7os, as gambiarras e as inven\u00e7\u00f5es que se articulam numa cl\u00ednica que n\u00e3o visa a suprimir o sintoma, mas acompanhar suas transforma\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h6><strong>Refer\u00eancias bibliogr\u00e1ficas<\/strong><\/h6>\n<h6>FREUD, Sigmund. Teoria geral das neuroses. (1917). 17. O sentido dos sintomas. In: _______. <strong>Confer\u00eancias introdut\u00f3rias \u00e0 psican\u00e1lise<\/strong>. (1916-1917). S\u00e3o Paulo: Companhia das Letras, 2014. p. 343-363. Obras completas, v. 13.<\/h6>\n<h6>LACAN, Jacques. Confer\u00eancia em Genebra sobre o sintoma. <strong>Op\u00e7\u00e3o Lacaniana<\/strong>, S\u00e3o Paulo, n. 23, p. 6-16, dez. 1998.<\/h6>\n<h6>MILLER, Jacques-Alain. Semin\u00e1rio sobre os caminhos da forma\u00e7\u00e3o dos sintomas.<strong> Op\u00e7\u00e3o Lacaniana<\/strong>, S\u00e3o Paulo, n. 60, p. 11-37, set. 2011.<\/h6>\n<h6>MILLER, Jacques-Alain. A inven\u00e7\u00e3o psic\u00f3tica. <strong>Op\u00e7\u00e3o Lacaniana<\/strong>, S\u00e3o Paulo, n. 36, p. 6-16, maio 2003.<\/h6>\n<h6>SEDLMAYER, Sabrina. <strong>Quem n\u00e3o tem c\u00e3o ca\u00e7a com gato<\/strong>: estudando a gambiarra. Rio de Janeiro: UFRJ, 2026.<\/h6>\n<h6>TEIXEIRA, Ant\u00f4nio. A aura da gambiarra. <strong>Derivas Anal\u00edticas<\/strong>, Belo Horizonte, n. 17, p. 0-0, jun. 2022.<\/h6>\n<hr \/>\n<h6><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a> Irrepar\u00e1vel termo extra\u00eddo do livro <em>Quem n\u00e3o tem c\u00e3o ca\u00e7a com gato: estudando a gambiarra<\/em> de Sabrina Sedlmayer, que prop\u00f5e uma an\u00e1lise da gambiarra e sua incid\u00eancia para al\u00e9m da vida cotidiana, na literatura, na cultura e nas artes. Como a arte de adaptar, improvisar e encontrar solu\u00e7\u00f5es simples e criativas para pequenos problemas cotidianos. Este livro que vem sendo trabalhado no Semin\u00e1rio Cl\u00ednico da EBP-Se\u00e7\u00e3o Rio de 2026.<\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Francisca Menta e Sandra Landim Neste tema, pretendemos investigar, a partir da cl\u00ednica, as inven\u00e7\u00f5es singulares, os arranjos cotidianos, que cada sujeito produz para construir os la\u00e7os capazes de sustent\u00e1-lo no mundo, seja de forma tempor\u00e1ria, extraordin\u00e1ria ou simples (por\u00e9m n\u00e3o menos importante). 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