{"id":57998,"date":"2026-10-09T05:53:03","date_gmt":"2026-10-09T08:53:03","guid":{"rendered":"https:\/\/jornadasdaebprio.com.br\/2026\/?p=57998"},"modified":"2026-10-09T16:43:12","modified_gmt":"2026-10-09T19:43:12","slug":"do-sintoma-ao-laco-gambiarras-para-as-jornadas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/jornadasdaebprio.com.br\/2026\/do-sintoma-ao-laco-gambiarras-para-as-jornadas\/","title":{"rendered":"Do sintoma ao la\u00e7o, Gambiarras para as jornadas? \u00a0\u00a0"},"content":{"rendered":"<div class=\"wpb-content-wrapper\" id=\"wpb-content-root\"><p>[vc_row][vc_column][vc_column_text]<\/p>\n<p><em>Maria Antunes<\/em><\/p>\n<p>Coordenar a constru\u00e7\u00e3o dessas jornadas foi uma experi\u00eancia muito ensinante com a qual aprendi a cada vez uma parceria sintom\u00e1tica de trabalho, num coletivo composto pelo sintoma de cada um.<\/p>\n<p>Apoio me aqui no que Jacques-Alain Alain Miller prop\u00f5e com o sintagma parceiro sintoma.<\/p>\n<p>Nesse sentido, o sintoma \u00e9 o que define o modo como se constr\u00f3i a parceria e n\u00e3o o contr\u00e1rio. A parceria sintom\u00e1tica n\u00e3o se d\u00e1 porque somos amigos ou porque n\u00f3s somos parecidos. A ideia desta parceria rompe com isto, pois se define por singularidades, porque os sintomas formam singularidades que fazem parcerias.<\/p>\n<p>Estou muit\u00edssimo bem impressionada pelo trabalho decidido de cada um que participou na montagem destas jornadas. \u00c9 muito vivificante experimentar na fun\u00e7\u00e3o de coordena\u00e7\u00e3o a transfer\u00eancia de trabalho, no movimento da escola, que possibilita que as Jornadas aconte\u00e7am. Desde a organiza\u00e7\u00e3o do espa\u00e7o, livraria, plen\u00e1rias e muitas outras coisas, o trabalho nas comiss\u00f5es tem efeitos de forma\u00e7\u00e3o para cada um que d\u00e1 de si e faz por onde a Escola acontecer.<\/p>\n<p>O efeito de forma\u00e7\u00e3o se d\u00e1 por se tratar de um trabalho que se orienta pela l\u00f3gica em jogo no fazer Escola. Essa experi\u00eancia, desde a Orienta\u00e7\u00e3o Lacaniana, coloca no centro o objeto a, como motor da transfer\u00eancia de trabalho.<\/p>\n<p>Nesta mesma perspectiva, no in\u00edcio do ano, a diretoria, as coordena\u00e7\u00f5es dos semin\u00e1rios, o conselho, a coordenadora da revista Latusa e as coordenadoras das jornadas se reuniram.\u00a0 A leitura de textos e discuss\u00f5es epistemol\u00f3gicas, delimitaram assim alguns fios orientadores que v\u00eam norteando os trabalhos na Se\u00e7\u00e3o Rio.<\/p>\n<p>Para afinar o tema das jornadas, Sandra Landim e eu lemos v\u00e1rios textos, at\u00e9 que a \u201cConfer\u00eancia em Genebra\u201d de Lacan nos tomou no la\u00e7o! Juntos diretoria, Conselho, coordenadoras das jornadas e a coordenadora da comiss\u00e3o de orienta\u00e7\u00e3o, decidimos coloc\u00e1-lo em circula\u00e7\u00e3o e fazer algumas conversa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s as jornadas se conclu\u00edrem, avalio que este trabalho foi fundamental para criar um movimento de estudo em dire\u00e7\u00e3o \u00e0s jornadas formando um solo comum que favoreceu principalmente as discuss\u00f5es dos conceitos e as conversa\u00e7\u00f5es nas plen\u00e1rias cl\u00ednicas.<\/p>\n<p>Nesta mesma visada, a estrutura das Jornadas se deu a partir da comiss\u00e3o de orienta\u00e7\u00e3o, de modo a ampliar o trabalho epist\u00eamico de leitura. Inclu\u00edmos encontros de discuss\u00f5es de textos com todas as coordena\u00e7\u00f5es das comiss\u00f5es das Jornadas, que p\u00f4de construir o trabalho epist\u00eamico provocando pequenas elabora\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Foram tamb\u00e9m constitu\u00eddos 12 carteis em torno dos temas das jornadas tendo o Encontro Brasileiro no horizonte.<\/p>\n<p>Quer\u00edamos um t\u00edtulo que pudesse abarcar ao mesmo tempo a no\u00e7\u00e3o de materialidade significante do Sintoma, desde a possibilidade de interpreta\u00e7\u00e3o at\u00e9 tamb\u00e9m a leitura do que itera e do que se l\u00ea como montagem, bricolagem, gambiarras feitas pelo falasser diante do real.<\/p>\n<p>O t\u00edtulo: \u201cO Corpo Sutil do sintoma\u201d, foi pensado a partir de uma frase do Lacan em Fun\u00e7\u00e3o e Campo \u201ca Fala, com efeito, \u00e9 um dom de linguagem, e a linguagem n\u00e3o \u00e9 imaterial. \u00c9 um corpo sutil, mas \u00e9 corpo\u201d. As palavras, os significantes, constituem o corpo e as sutilezas pedem leitura.<\/p>\n<p>Nosso ponto de partida era: como as pessoas chegam nas an\u00e1lises hoje? De que modo d\u00e3o not\u00edcias da sua experi\u00eancia subjetiva, como o inconsciente comparece? Quais s\u00e3o os sintomas de chegada, e ao longo de uma an\u00e1lise o que se passa com o sintoma de quem consente com a an\u00e1lise?<\/p>\n<p>Sabemos, com Lacan, que alguma coisa no sintoma \u00e9 opaco, sem sentido, e que j\u00e1 est\u00e1 l\u00e1 no in\u00edcio da an\u00e1lise e que podemos ler. Este ponto n\u00e3o se chega s\u00f3 no final da an\u00e1lise, ele pode ficar mais evidente na psicose, ou no trabalho de an\u00e1lise com as crian\u00e7as, uma vez que as crian\u00e7as est\u00e3o mais pr\u00f3ximas do real por n\u00e3o ter ainda um fantasma t\u00e3o consolidado. Para lidar com este ponto de gozo que itera, o trabalho de an\u00e1lise pode ser um trabalho de bricolagem com peda\u00e7os de imagens, palavras, pequenos objetos. Por isso inserimos o subt\u00edtulo \u201cLa\u00e7os e Gambiarras\u201d, seguindo tamb\u00e9m o debate do semin\u00e1rio cl\u00ednico coordenado por Marcus Andr\u00e9 Vieira.<\/p>\n<p>Na confer\u00eancia em Genebra, Lacan aponta tamb\u00e9m para o que se constitui quando o encontro da linguagem, a l\u00edngua do Outro, entra em choque com o corpo do infans e deixa marcas, detritos intraduz\u00edveis. Esses detritos s\u00e3o o que comp\u00f5e as sutilezas a partir de, e com as quais, o falasser vai forjar seu sintoma e se enla\u00e7ar na l\u00edngua do Outro. Miller conceitualizou essas marcas enquanto gozo autista que ressoa, e que pede leitura.<\/p>\n<p>Depois, com o Semin\u00e1rio 23, Lacan avan\u00e7a mais ainda nesta no\u00e7\u00e3o de materialidade e cria o conceito de sinthoma, com uma letra que n\u00e3o se pronuncia, mas que se l\u00ea, letra de escrita de um corpo frente ao real.<\/p>\n<p>Aqui cabe uma das perguntas que o trabalho nos trouxe at\u00e9 as jornadas:<\/p>\n<p>Como a psican\u00e1lise pode, hoje, ser \u00fatil para que cada um possa passar desse gozo autista ao la\u00e7o com o Outro, fazendo ressoar sua sutileza que vivifica, sem ser mortificado pelo imperativo de ter que estar no la\u00e7o a partir de um universal para todos como o do Capitalismo, da Ci\u00eancia, ou da religi\u00e3o.<\/p>\n<p>Por fim gostaria de lembrar que nossas jornadas ocorreram uma semana antes de um importante dia para nosso pa\u00eds. Votar \u00e9 um ato, e \u00e9 importante lembrar que a psican\u00e1lise n\u00e3o existe sem a democracia.<\/p>\n<p>Agrade\u00e7o mais uma vez ao Rodrigo Lyra diretor de se\u00e7\u00e3o Rio, a toda a diretoria a Presidente do Conselho Maricia Ciscato, assim como a todo o conselho, pela confian\u00e7a em me convidar junto com Sandra Landim para coordenar as 33as jornadas \u201co corpo sutil, La\u00e7os e Gambiarras\u201d.<\/p>\n<p>Agrade\u00e7o a Sandra Landim e a todas as coordena\u00e7\u00f5es \u00a0e participantes das comiss\u00f5es sem todos as jornadas n\u00e3o teriam sido poss\u00edveis.<\/p>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row]<\/p>\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>[vc_row][vc_column][vc_column_text] Maria Antunes Coordenar a constru\u00e7\u00e3o dessas jornadas foi uma experi\u00eancia muito ensinante com a qual aprendi a cada vez uma parceria sintom\u00e1tica de trabalho, num coletivo composto pelo sintoma de cada um. 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