{"id":58001,"date":"2026-10-09T05:54:27","date_gmt":"2026-10-09T08:54:27","guid":{"rendered":"https:\/\/jornadasdaebprio.com.br\/2026\/?p=58001"},"modified":"2026-10-09T15:53:23","modified_gmt":"2026-10-09T18:53:23","slug":"fissuras-e-o-tempo-de-concluir","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/jornadasdaebprio.com.br\/2026\/fissuras-e-o-tempo-de-concluir\/","title":{"rendered":"FISSURAS E O TEMPO DE CONCLUIR"},"content":{"rendered":"<p><em>Ana Beatriz Zimmermann e Rodrigo Abecassis<\/em><\/p>\n<p>Chegamos ao final das 33as Jornadas Cl\u00ednicas da EBP-Se\u00e7\u00e3o Rio e, com isso, nosso boletim se despede, n\u00e3o sem algumas palavras sobre o trabalho e o tema das Jornadas.<\/p>\n<p>Em cada Jornada produzimos um boletim, que traz em seu nome algo que circunscreve ou tangencia o tema a ser trabalhado por nossa coletividade. Nesta Jornada isso n\u00e3o foi diferente. <em>Fissuras<\/em> surgiu a partir de um trabalho coletivo por muitas m\u00e3os, e foi pensado para que pud\u00e9ssemos incluir a heterogeneidade do t\u00edtulo das Jornadas- <strong>O corpo sutil do sintoma, la\u00e7os e gambiarras. <\/strong><em>Fissuras<\/em> em sua polissemia pode nos remeter a pequenas rachaduras, aberturas finas, marcas indel\u00e9veis, mas tamb\u00e9m, aquilo que traz o sentido da repeti\u00e7\u00e3o ou um caminho feito pela chuva da linguagem no corpo.<\/p>\n<p>Ao pensarmos no sintoma como uma no\u00e7\u00e3o cara \u00e0 psican\u00e1lise, que desde sua origem traz o enigma e o decifr\u00e1vel, n\u00e3o podemos nos furtar em expor que a realiza\u00e7\u00e3o e produ\u00e7\u00e3o de um boletim caminha ao lado do que entendemos por sintoma e sinthoma. Uma acep\u00e7\u00e3o freudiana do sintoma requer certa repeti\u00e7\u00e3o e dura\u00e7\u00e3o, nesse sentido o <em>Fissuras<\/em> tornou-se um \u201csintoma\u201d das Jornadas, pois trouxe \u00e0 leitura o enigma e decifra\u00e7\u00e3o da escrita de cada escritor e leitor. Advertidos, ao mesmo tempo, que tanto na escrita, como no sintoma, h\u00e1 um indecifr\u00e1vel. Al\u00e9m disso, o que pode fazer la\u00e7o ou n\u00e3o, o que pode ser uma gambiarra, no sentido mais comum, mas tamb\u00e9m, aquilo que pode ter servido a algu\u00e9m em seu modo de gozo. Entre pensar, discutir e elaborar um boletim h\u00e1 uma s\u00e9rie de caminhos que s\u00e3o percorridos, por cada integrante da comiss\u00e3o e coordena\u00e7\u00e3o das Jornadas. Cada um com seu sintoma, mas em torno de uma transfer\u00eancia de trabalho com a Escola. Aqueles que puderam escrever para o boletim, ou mont\u00e1-lo, deixaram a sua marca do que pode ser lido e que reverberou em dire\u00e7\u00e3o \u00e0s Jornadas.<\/p>\n<p>Agora, ap\u00f3s a leitura dos boletins e o percurso das Jornadas, ficamos com seus restos sintom\u00e1ticos, com o que foi poss\u00edvel escutar e ler em mesas bastante instigantes, com quest\u00f5es que nos levaram \u00e0 decifra\u00e7\u00e3o de sentidos das l\u00ednguas espanhola e portuguesa, algo sintom\u00e1tico entre l\u00ednguas, que sempre deixa um resto n\u00e3o traduz\u00edvel ou um tanto estapaf\u00fardio! Sem penar ou sofrer demais, as Jornadas deixaram suas marcas pelos trabalhos dos analistas comentadores e os praticantes, seja por um singular alfabeto, que faz la\u00e7o com o Outro, ou a lixografia que nos depositou desenhos que puderam ser lidos num lugar \u00eaxtimo. Tamb\u00e9m a letra D que \u00e9 fora de sentido e cabe a n\u00f3s analistas manter o vazio de sentido e, com ele, afiar nosso instrumento cir\u00fargico cl\u00ednico. Al\u00e9m disso, fomos banhados pelas excelentes refer\u00eancias freudianas, trazidas pelos alunos do ICP-RJ, e lacanianas trazidas pelas perspectivas do conceito, e cada caso foi retomado pelo que ressoou da letra do sintoma trabalhado. Caso fr\u00e1gil destacado por Andrea Reis, e ensino do passe onde Ondina com precis\u00e3o nos ensinou como a rela\u00e7\u00e3o com o objeto e com a Escola muda no final de uma an\u00e1lise. Muda-se a rela\u00e7\u00e3o em atender as demandas do mundo.<\/p>\n<p>O que resta para seguir trabalhando rumo \u00e0s pr\u00f3ximas Jornadas? \u00a0Podemos dizer que pensar e construir as Jornadas desde o in\u00edcio articuladas ao pr\u00f3ximo Encontro Brasileiro teve um efeito importante de nos remetermos a uma comunidade mais ampla de trabalho, onde ficou muito evidente que a partir da transfer\u00eancia de trabalho, pertencemos ao Campo Freudiano, \u00e0 Escola Una, \u00e0 Associa\u00e7\u00e3o Mundial de Psican\u00e1lise.\u00a0 Nesse sentido, muitos praticantes de fora do Rio puderam tecer palavras do seu trabalho com os seres falantes em suas cidades.<\/p>\n<p>Agradecemos primeiramente \u00e0s coordenadoras das 33\u00aas Jornadas, Maria Antunes Tavares e Sandra Landim, por confiarem a n\u00f3s a coordena\u00e7\u00e3o da comiss\u00e3o de boletim e um agradecimento especial \u00e0 comiss\u00e3o, que demonstrou entusiasmo, al\u00e9m de ser desejante e implicada neste trabalho de tecitura de palavras, inventando um novo escrito a partir dos textos recebidos, dando o toque singular para que pud\u00e9ssemos avan\u00e7ar no trabalho. S\u00e3o eles: Eduardo Gomes, Ingrid Val\u00e9rio, Larissa Pinto, Marina Sodr\u00e9 e Rafael Dias.<\/p>\n<p>At\u00e9 a pr\u00f3xima!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ana Beatriz Zimmermann e Rodrigo Abecassis Chegamos ao final das 33as Jornadas Cl\u00ednicas da EBP-Se\u00e7\u00e3o Rio e, com isso, nosso boletim se despede, n\u00e3o sem algumas palavras sobre o trabalho e o tema das Jornadas. 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