Girar, girar… e perder-se um pouco

Lucíola Macêdo

“Não posso continuar, continuarei”.  Samuel Becket, em O inominável

 Prelúdio

Há mais de uma psicanálise na psicanálise.

Da crença de que ler o sintoma e interpretá-lo tem efeito sobre ele (anular, dissolver, deslocar), ao sintoma “reduzido à sua fórmula inicial” ao seu grão duro, quando o choque da linguagem com o corpo faz reverberar coisas. Algumas delas balbuciamos, outras arriscamos dizer, ou tentar escrever, outras escorrem por entres as letras, sílabas ou frases inteiras, escorrem, escorrem e escorrem… Entre esses dois movimentos, o que há?

Comentário sobre “Girar, girar… e

perder-se mais um pouco” de Lucíola Macedo

Por Cristina Duba

Começo agradecendo pelo prazer da leitura. O texto de Lucíola Macedo é muito rico e permite que abordemos o sintoma por múltiplos ângulos, o que bem corresponde à sua natureza, às inúmeras maneiras de tratar do sintoma em psicanálise. Se um sintoma já carrega em sua própria definição uma referência explícita a uma “outra coisa”, seja como sinal, substituto, compromisso, tudo que os textos de Freud, Lacan e Miller demonstram, ele se apresenta inexoravelmente como uma espécie de clara opacidade, líquida densidade, paradoxo a ser lido.