Carla Sá Freire e Grasiela Fragoso
Cartel: Interpretação e Sintoma: escuta, leitura e escrita do gozo
Cartelizantes: Carla Sá Freire, Déborah Bentes Castro, Grasiela Fragoso, Helena Torres e Maria Corrêa (mais um).
Trazemos notícias do trabalho no cartel a partir de nossas leituras e colocamos duas questões a fim de dialogar com as Jornadas Clínicas deste ano. Desde Freud, o sintoma é concebido como uma tentativa de cura que, ao mesmo tempo em que fracassa, comporta um ganho. A partir da releitura proposta por Lacan, nos perguntamos: como é possível tocar no sintoma em sua dimensão de gozo, que comporta um para-além do sentido? De que forma isso pode favorecer o enlace do sujeito com o mundo?
Como sabemos, é a interpretação o principal instrumento de intervenção do analista. Mas de que interpretação se trata?
“Entender se opõe a interpretar, assim como o discurso do mestre se opõe ao discurso do analista.”[1] A língua, “a rebelde, a incontrolável”,[2] frustra o discurso do mestre em sua tentativa de domínio do saber. Não é pelo saber que a interpretação pode tocar algo do gozo do sintoma.
“É sempre com a ajuda de palavras que o homem pensa. E é no encontro dessas palavras com seu corpo que alguma coisa se esboça”.[3] Aquilo que insiste no sintoma relaciona-se com o acontecimento que marcou a carne e inaugurou na trama sutil da linguagem um gozo que não cessa de não se escrever e que se rebela ao sentido.
“O sintoma é gozo, mas também, Lacan o demonstrou amplamente, nó de significantes”.[4] Essa afirmação nos ajuda a esclarecer o quanto a dimensão da decifração do sentido na formação do sintoma é uma construção importante na experiência analítica. Entretanto, atualmente, nossas perguntas têm se orientado para a dimensão real do sintoma, em seu ponto de impossibilidade de saber.
