Mirta Zbrun (mais um) e Camila Ventura
Membros do cartel: Adriana de la Peña Faria, Camila Ventura, Heloisa Satsiko Devulsky Shimabukuro, Lívia Beatriz Lisboa Pereira e Mirta Zbrun.
Após um trabalho de leitura rigorosa da Conferência em Genebra sobre o sintoma, de Jacques Lacan, do qual extraímos importantes consequências para a elaboração do tema das 33ª Jornadas Clínicas, o cartel encontra-se atualmente dedicado ao estudo e à discussão do texto de Jacques-Alain Miller, Seminário sobre os caminhos da formação dos sintomas, publicado na Opção Lacaniana n.º 60 (setembro de 2011).
Nesse seminário, Miller retoma o texto freudiano sobre a formação dos sintomas, articulando-o às Conferências XVII e XXIII de Freud, com o propósito de construir aquilo que denomina uma espécie de “placa giratória”: um dispositivo conceitual que permite colocar em relação diferentes momentos da obra freudiana, as diversas elaborações produzidas ao longo do ensino de Lacan e, ainda, a própria articulação entre a obra de Freud e a de Lacan.
Em nossas discussões, destacamos alguns pontos que têm se mostrado particularmente importantes para nosso trabalho:
- A questão do sentido do sintoma nos conduziu à distinção entre Sinn e Bedeutung – entre sentido e significação, distinção que se revela decisiva para o que Miller propõe sob a fórmula “ler um sintoma”. Essa perspectiva nos permite interrogar o estatuto do sentido na experiência analítica para além da produção de significações.
- Ao acompanhar os caminhos da formação dos sintomas, verificamos a necessidade constante de recorrer à noção freudiana de libido, entendida como energia das pulsões. Tal referência mostra-se fundamental para apreender a dimensão da satisfação implicada no sintoma e sua articulação com o gozo.
- O cartel dedicou especial atenção à articulação entre sentido e gozo, binário que ocupa lugar central tanto na elaboração freudiana quanto em sua releitura lacaniana. Essa articulação tem se mostrado particularmente relevante para as diferentes incidências do sintoma na experiência analítica.
Desse modo, o percurso iniciado com a Conferência em Genebra sobre o sintoma vem encontrando continuidade no estudo das formulações de Miller acerca da formação dos sintomas, permitindo-nos aprofundar as relações entre sintoma, interpretação, sentido e gozo, e suas consequências para a nossa clínica.
Rio de Janeiro, 18 de junho de 2026
