Marilena Leitão
“Há algo para se ler, diante do qual,
frequentemente “boiamos”. – Jacques Lacan [1]
Na Conferência de Genebra, Lacan pergunta: “Como sobrevive um corpo?”[2] Em geral, não temos exatamente uma clareza do que acontece em nosso corpo e é pela linguagem que recebemos nossas primeiras marcas. O sujeito está impregnado pela linguagem, que por sua vez impregna o corpo pela via da encarnação do significante. Pensamos com palavras, as palavras encontram o corpo e algo acontece.
Na criança, muito cedo, os sintomas se cristalizam. É decisivo. Os sentidos dos sintomas estão ligados à realidade sexual e como resultante de um conflito, o sintoma surge buscando satisfazer a libido, que busca sua satisfação. O sintoma se escreve no corpo, mas nem sempre sabemos lê-lo. A noção do escrito é aqui fundamental.
Freud, nas Conferências, nos diz que “… o sintoma emerge como um derivado múltiplas-vezes-distorcido da realização de desejo libidinal inconsciente…”.[3]
Lacan, em Escritos, mostra que “O sintoma, aqui, é o significante de um significado recalcado da consciência do sujeito. Símbolo escrito na areia da carne e no véu de Maia…”.[4]
[Estamos apenas iniciando os trabalhos].
Cartel Fulgurante “O SINTOMA”
Mais-Um: Flávia Hasky
Cartelizantes: Flávia Hasky, Maria da Penha Negreiros, Marial Silvia Hanna,
Marilena Leitão, Marina Sodré, Renata Bondim.
BIBLIOGRAFIA
- Lacan, J. Conferência em Genebra sobre o sintoma, Opção Lacaniana 23, 1998, p.14.
- Idem, p.7.
- Freud, S. Conferência XXIII. Os caminhos da formação dos sintomas (1915-1916) In: Conferências Introdutórias (Parte III), Vol. XVI, Edição Standard Brasileira, p.363.
- Lacan, J. Função e campo da fala e da linguagem (1953). In: Lacan, J. Escritos. Rio de Janeiro: JZE, 1998, p. 282.
