Boa noite, quero agradecer ao diretor, Rodrigo Lyra, ao conselho da EBP-Seção Rio, e a toda a diretoria pelo convite para fazer o trabalho de coordenação das 33as Jornadas Clínicas da EBP-Seção Rio. Também quero desde já agradecer a Sandra Landim pela parceria, com quem tem sido uma alegria coordenar essas Jornadas!
Digo trabalho porque tomamos como direção a aposta de colocar em movimento na Seção Rio uma transferência de trabalho em direção às 33as Jornadas: “O corpo sutil do sintoma: laço e gambiarras”, e em direção ao XXVI Encontro Brasileiro do Campo Freudiano: “Barulhos da língua: a interpretação entre a fala e a escrita”.
Para isso, a diretoria, o conselho, a editora da Latusa, as coordenações dos seminários e as coordenadoras das Jornadas têm se reunido em um trabalho permanente de estudo de textos e de discussão epistemológica, delimitando alguns fios orientadores que vêm norteando os trabalhos da EBP-Seção Rio.
A escolha do texto para dar a largada ao trabalho se deu pensando nessa dobradiça do sintoma e dos barulhos da língua. Nessa perspectiva, após ler vários textos, a “Conferência em Genebra” de Lacan nos tomou no laço! Decidimos colocá-la em circulação e fazer algumas conversações, extraindo elaborações provocadas que movimentam a tessitura das Jornadas.
Assim, esse texto nos ajuda a abrir o trabalho, a partir da teorização de Lacan da concepção do sintoma não só como mensagem a ser decifrada. Ele aponta também para o que se constitui, quando o encontro da linguagem, a língua do Outro, entra em choque com o corpo do infans e deixa marcas, detritos intraduzíveis. Esses detritos compõem as sutilezas, a partir e com as quais o falasser vai forjar seu sintoma e se enlaçar na língua do Outro. Miller conceitualizou essas marcas, enquanto gozo autista que ressoa, e que pede leitura.
Uma pergunta clínica é: Como a psicanálise pode, hoje, ser útil para que cada um possa passar desse gozo autista ao laço com o Outro, fazendo ressoar sua sutileza que vivifica, sem ser mortificado pelo imperativo de ter que estar no laço, a partir de um universal para todos?
Pensamos a estrutura das Jornadas a partir da coordenação da Comissão de Orientação, conduzida por Ana Lucia Lutterbach, de modo a ampliar o trabalho epistêmico de leitura desse texto e de extração de perguntas e questões. Então, incluímos momentos de trabalho com todas as coordenações das comissões das Jornadas, provocando um movimento que possa construir o trabalho epistêmico e faça circular pequenas elaborações. a partir das quais as Jornadas estão se constituindo.
Nessas Jornadas Clínicas, estamos apostando no formato de uma grande conversação clínica. Para isto, teremos várias plenárias que vão trabalhar a partir do envio dos trabalhos. Contaremos não somente com que estiver nas mesas das plenárias, mas também com os participantes da sala. Nossa querida coordenadora, Ana Lucia, e a Comissão de Orientação estão em pleno trabalho de estruturação das plenárias.
A convite da diretoria da Seção Rio e da Comissão de Orientação, contaremos também com uma plenária do Instituto de Clínica Psicanalítica do Rio de Janeiro, o ICP-RJ.
A proposta para o envio de trabalhos se dará da seguinte forma:
- Contamos em receber vinhetas clínicas que toquem o tema tanto dos que estão no movimento dos cartéis, que acontecem na Seção, quanto das pessoas interessadas em enviar seus trabalhos.
- Nas mesas das plenárias teremos leitores. Os leitores apresentarão as questões e pontuações que recolherem nas vinhetas recebidas.
- Nossa aposta é a de que os leitores, junto aos autores das vinhetas, assim como os participantes da sala, formem uma conversação clínica.
Contaremos também com duas convidadas: Marcela Antelo, AME, membro da EBP e da AMP, da Seção Bahia, e Silvia Salman, AME, membro da EOL e da AMP – ambas virão de forma presencial. Lembrando que apostamos no encontro e que as Jornadas serão unicamente no formato presencial.
Maria Antunes
