Boa noite. É com grande prazer que estamos aqui no lançamento das 33as Jornadas Clínicas, “O corpo sutil do sintoma: laços e gambiarras”. Gostaria de agradecer o convite do Rodrigo Lyra, diretor da EBP-Seção Rio, para coordenar essas Jornadas e estender o agradecimento a toda a diretoria e ao conselho da Seção Rio. É muito bom estar na coordenação junto com Maria Antunes, que, muitos sabem, é amiga de longa data, lá dos tempos em que os sintomas se formam…
Enveredando pelos textos que abordam o tema, Maria sugeriu o texto de Lacan, “Conferência em Genebra sobre o sintoma”, que foi muito bem recebido pela diretoria. Houve uma convergência em vários espaços de estudo e de discussão na Seção Rio a partir deste texto.
Lacan diz que os sintomas se cristalizam na criança na sua mais tenra infância e que é preciso relacionar isto à análise dos sonhos e dos atos falhos que, como diz Freud, devem ter algum sentido.
Uma passagem da conferência em Genebra ficou ressoando em mim, aquela onde Lacan fala muito poeticamente que a criança é banhada pela linguagem como a água passa por uma peneira e deixa alguns detritos que aí permanecem. É com estes restos que mais tarde a criança vai ter que lidar. Podemos pensar que esses restos tecem partes do sintoma?
Cartaz:
Agora vou apresentar o cartaz. Esse trecho do texto também deu forma ao cartaz que Luiza Vaz, designer das Jornadas, soube com muita delicadeza transformar numa arte. O cartaz foi criado pensando na ideia da criança atravessada pela água da linguagem, que surge a partir da imagem literal da peneira com o movimento da água caindo, que aparece atrás desses recortes irregulares. Eles escondem parte do texto e da peneira para mostrar que algo nunca é totalmente perceptível. Esse trecho da Conferência está no fundo da imagem nas letrinhas verticais cujo aspecto granulado foi pensado para trazer uma certa materialidade. Como se o texto virasse também matéria, alguns detritos ficam retidos na peneira.
Comissões:
Falando um pouco sobre as comissões, montamos as coordenações pensando na possibilidade de também haver um trabalho epistêmico, ou seja, os coordenadores participariam da comissão ampliada de Orientação. Gostaríamos de agradecer a todos. Além disso, este ano, estamos propondo que as comissões trabalhem como uma teia, entrelaçando todas as comissões que precisam conversar entre si. A tesouraria colocou um participante em cada comissão. Então, teremos um representante de cada comissão em outra. Assim, a estrutura das Jornadas vai se tecendo.
Boletim:
O boletim destas Jornadas chama-se Fissuras, um significante que surgiu na comissão de orientação. A palavra carrega um duplo sentido: remete tanto ao desejo intenso por algo quanto às rachaduras do solo do sertão – os sulcos que se formam, quando a água da chuva percorre a terra e nela deixa suas marcas.
Local:
As Jornadas serão realizadas no Hotel Vila Galé no meio do burburinho da Lapa. É incrível entrar e se deparar com um edifício histórico de meados do século XIX, onde ficava o palacete da Rua do Riachuelo, que posteriormente foi um hotel e uma escola. Em 2014, sofreu uma reforma e foi inaugurado o Hotel Vila Galé. Ao passar pela porta parece que abrimos o armário de Nárnia.
Passo agora a palavra à Maria Antunes que vai falar da estrutura das Jornadas.
Sandra Landim
